Folder do 5° Prêmio Rhodia-ABEQ  

Projeto Problema do 5° Prêmio Rhodia-ABEQ (1996)

Para o controle da poluição atmosférica, são de fundamental importância os processos de dessulfuração, nos quais a redução de sulfeto de hidrogênio (H2S) é efetuada através da reação com anidrido sulfuroso (SO2), em presença de um catalisador adequado, produzindo-se enxofre elementar (S):

2 H2S + SO2 --> 3 S + 2 H2O

Visando a industrialização desse processo, estudaram-se em escala de laboratório, as características cinéticas desse sistema reacional. No aparato experimental montado, um reator tubular vertical, a mistura reacional de SO2, H2S e outros gases inertes é alimentada na sua base. Água e catalisador dissolvido são alimentados no topo e são extraídos pela base, acompanhados do S em suspensão, formado pela reação no sistema de contato gás-líquido. Os gases residuais são extraídos pelo topo do reator, carregando também vapor d'água em equilíbrio. Para que a reação ocorra, os gases devem difundir-se na fase líquida, onde se encontra o catalisador, caracterizando assim uma situação de transferência de massa com influência da reação química.

O Anexo I apresenta alguns dados experimentais obtidos em laboratório, bem como as condições operacionais. O Anexo II apresenta um esboço do reator. O Anexo III apresenta o modelo matemático proposto e algumas das hipóteses básicas utilizadas no seu desenvolvimento.

Para futura construção de uma unidade industrial de recuperação de S a partir de uma mistura de H2S e SO2, pede-se que sejam elaborados os seguintes itens:

1. Escolha e justifique um tipo adequado de reator industrial de contato gás-líquido para executar o serviço;

2. Dimensione o reator escolhido, calculando suas dimensões principais e seus detalhes construtivos, para a seguinte situação:

  • Vazão total de gases:
  • 30.000 Nm3/h à pressão atmosférica
  • Gases na alimentação:
  • H2S e SO2 em proporção estequiométrica (mistura a 1,5% em volume) e inertes
  • Recuperação de S:
  • 99,0 %

    3. Identifique e justifique quais são as variáveis do projeto cujas incertezas são mais expressivas e quais mais contribuem para a incerteza no cálculo da altura desse reator;

    4. Escolha e justifique o material de construção do reator;

    5. Prepare uma folha de especificações (data-sheet) do reator;

    6. Estime a ordem de grandeza do custo do reator conforme a folha de especificações (data-sheet);

    7. Faça um diagrama seqüencial (sem os balanços de massa e energia) do processo de remoção de H2S de uma corrente gasosa;

    8. Indique as dificuldades mais significativas que a operação, manutenção e controle desse reator poderá apresentar, e sugira como resolvê-las.

    OBSERVAÇÕES

  • Utilize o sistema SI de unidades;

  • Eventuais dados, informações e métodos adicionais utilizados para a resolução do problema, devem ser claramente relacionados, citando-se suas referências bibliográficas;

  • Todas as hipóteses assumidas devem ser claramente apresentadas e justificadas;

  • Simbologia e unidades devem ser apresentadas;

  • A análise comparativa dos trabalhos submetidos irá considerar, além da sua correção técnica, os aspectos de organização, clareza e asseio.
  • ANEXO I - Dados experimentais

    Os presentes dados foram obtidos em reator de contato gás-líquido tubular vertical de laboratório. Os dados da tabela II.1 foram obtidos para uma concentração inicial de H2S (componente A) de 1,0 % em volume e uma concentração de catalisador de 0,0576 kmol/m3 de fase líquida.

    Tabela II.1 - Dados de concentração de H2S (CAg) na saída do reator de laboratório em função do tempo

    t (segundos)
    CAg (kmol/m3)
    1,4
    9,95 x 10-4
    1,7
    7,79 x 10-4
    2,9
    3,49 x 10-4
    3,9
    1,95 x 10-4
    4,2
    1,43 x 10-4

    Os dados da Tabela II.2 foram obtidos para uma concentração inicial de H2S (componente A) de 1 % em volume e um tempo fixo de 3 segundos.

    Tabela II.2 - Dados de concentração de H2S (CAg) na saída do reator de laboratório em função da concentração de catalisador (Ccat)

    Ccat (kmol/m3)
    CAg (kmol/m3)
    2,0x10-2
    1,40 x 10-3
    3,2x10-2
    5,33 x 10-4
    6,0x10-2
    2,78 x 10-4
    1,0x10-1
    1,70 x 10-4
    1,6x10-1
    1,15 x 10-4

    A operação e a análise dos dados do reator de laboratório, levou também às seguintes conclusões:

  • Para se evitar reações parasitas e facilitar a recuperação do enxofre na forma líquida, é necessário trabalhar a temperaturas superiores a 120 °C ; além disso a viscosidade do enxofre líquido passa por um máximo a 160 °C. Dessa forma, a faixa de temperatura de interesse, situa-se entre 130 e 150 °C;
  • A estrutura geométrica do reator tem pouca influência na velocidade da reação;
  • A reação entre H2S e SO2 dissolvidos é muito rápida, mesmo a 25 °C;
  • A concentração de catalisador influencia a velocidade de reação a 130 °C. A reação ocorre na fase líquida, após a dissolução dos reagentes gasosos. A solubilidade dos gases na fase líquida a 130 °C é pequena, mas muito diferente para o H2S e o SO2 (o SO2 é cinco vezes mais solúvel que o H2S);
  • Um excesso de H2S leva à conversão total de SO2, enquanto que um excesso de SO2 não consegue eliminar todo o H2S;
  • Concentrações de catalisador superiores a 0,2 kmol/m3 de fase líquida eleva a velocidade de reações parasitas.
  • ANEXO II - Diagrama esquemático do reator

    ANEXO III - Modelo matemático proposto

    O modelo matemático proposto para o sistema de transporte de massa com influência da reação química presente no reator, segue a seguinte correlação:

    CAg - Concentração de H2S na fase gasosa, kmol/m3
    CAgo - Concentração de H2S na fase gasosa na entrada do reator, kmol/m3
    Ccat - Concentração de catalisador na fase líquida, kmol/m3
    K - Constante, m7/4/(kmol1/4.s)
    a - Área interfacial gás-líquido, m2/m3
    t - Tempo, s

    O modelo matemático proposto foi desenvolvido analisando-se a transferência de massa da fase gasosa para a fase líquida, onde ocorre a reação. Considerou-se que a resistência à transferência de massa ocorre num filme de líquido, estacionário e imóvel na interface, onde os gases reagentes difundem-se (difusão molecular).

    Para a construção do modelo matemático, adotaram-se as seguintes hipóteses:

  • A resistência à transferência de massa na fase gasosa é pequena, em relação à resistência da fase líquida;
  • Concentração constante do SO2 na fase líquida, proporcional à concentração do SO2 na fase gasosa;
  • A reação é rápida e o H2S reage totalmente no filme líquido;
  • A cinética da reação é de ordem um com relação ao H2S e ao SO2;
  • A lei de Henry é valida para o H2S;
  • A variação de densidade dos gases pode ser ignorada;
  • Escoamento tipo pistonado ("plug-flow").